Nem toda empresa ganha ao tirar o IBS e a CBS do DAS. Entenda para quem essa conta realmente fecha.
Se você já sabe que setembro é o mês em que o Simples Nacional decide como recolher IBS e CBS a partir de 2027 (explicamos o prazo com detalhes neste artigo), pode pular direto para a pergunta que realmente importa agora: entre manter tudo dentro do DAS ou migrar para o regime híbrido, qual faz mais sentido para a sua empresa?
O que é o regime híbrido, na prática
No regime híbrido, a empresa continua no Simples Nacional para a maior parte dos tributos, mas o IBS e a CBS saem da guia única e passam a seguir as regras do regime regular, o mesmo usado por empresas de lucro presumido ou lucro real. Na prática, isso significa apurar débito e crédito operação por operação, em vez de recolher tudo dentro de uma alíquota única simplificada. Em troca dessa complexidade extra, o crédito que a empresa repassa ao cliente deixa de ser parcial e passa a ser integral.
Vantagens de permanecer 100% no Simples Nacional
Ficar no modelo tradicional tem um apelo direto: simplicidade. Uma guia, um cálculo, pouca mudança na rotina do financeiro. Para quem já está acostumado com o Simples, é o caminho de menor atrito.
Esse caminho costuma ser o mais indicado para negócios que vendem majoritariamente para o consumidor final, como uma loja de roupas, um salão ou um restaurante. A pessoa física que compra ali não aproveita crédito tributário. Então o fato de o crédito gerado ser parcial, e não integral, não muda a decisão de compra nem afeta o preço final de forma relevante.
Quando faz sentido migrar para o regime híbrido
O cenário muda para empresas que vendem para outras empresas, principalmente quando o cliente está no regime regular e realmente usa o crédito gerado na própria apuração.
Pense numa metalúrgica de pequeno porte que vende peças para indústrias maiores. Se essas indústrias clientes puderem aproveitar o crédito integral do regime híbrido, e não apenas a fração que sairia do Simples tradicional, a metalúrgica que ficar de fora corre o risco de perder competitividade simplesmente por gerar menos crédito que o concorrente. Já uma loja de roupas que vende para consumidor final não sente esse mesmo efeito, porque o cliente final nunca vai aproveitar esse crédito de qualquer forma.
Setores com cadeia de valor mais longa, como indústria, atacado e fornecimento de insumos, tendem a sentir esse efeito com mais força do que o comércio de varejo tradicional.
Uma pergunta simples para começar a decidir
Não existe fórmula pronta, mas um bom ponto de partida é uma pergunta: que fatia do seu faturamento vem de clientes que estão no regime regular e efetivamente usam crédito tributário na própria apuração?
Se essa fatia for pequena, o regime híbrido provavelmente não compensa a complexidade adicional. Se for grande, principalmente em negociações onde o preço final depende do crédito repassado, vale aprofundar a análise.
O que considerar além do imposto
Não basta calcular quanto imposto a empresa vai pagar em cada modelo. A decisão envolve toda a relação com o cliente: como ele reage a um fornecedor que não repassa crédito integral, se isso pesa em uma negociação ou concorrência, e se a complexidade extra do regime híbrido é algo que a empresa tem estrutura para absorver sem gerar erro operacional.
Existe uma segunda chance para decidir?
Sim, parcialmente. Além da janela de setembro de 2026, a Receita abre uma nova oportunidade em março de 2027, para revisar a escolha e ajustar a partir do segundo semestre daquele ano.
Mas migrar depois de já ter operado alguns meses em um modelo não é trivial. Envolve reorganizar sistemas, rever contratos e corrigir a forma como o crédito foi repassado até ali. Decidir bem agora evita esse retrabalho.
Como simular o cenário da sua empresa antes de decidir
A resposta certa depende de números reais: quanto do faturamento vem de cada tipo de cliente, como esses clientes reagem ao crédito tributário, e qual complexidade operacional a empresa consegue absorver sem tropeçar. É esse tipo de simulação que conduzimos dentro dos Honorários Contábeis, cruzando o perfil de faturamento da empresa com os dois cenários possíveis antes da decisão de setembro.
É valido agendar uma simulação tributária personalizada antes de decidir. É mais barato simular agora do que corrigir depois.
FONTES:
https://simplifique.contmatic.com.br/blogs/regime-hibrido-simples-nacional-setembro-2026



